Viveu
à grande durante 13 anos sem trabalhar e à custa das poupanças de
futebolistas e empresários. Estes acreditaram estar perante um
descendente do grupo Jerónimo Martins, do Pingo Doce. José Carlos
Martins sacou-lhes pelo menos quatro milhões de euros.
foto Rui Oliveira/Global Imagens
O
Ministério Público do Porto acusa agora este indivíduo, agora com 43
anos, por burla qualificada, a par da ex-mulher. Filha de um engenheiro e
de uma professora da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto,
Cláudia também beneficiou dos milhões de euros entregues pelas vítimas
e, segundo a acusação pública, foi fulcral para o sucesso do esquema.
Às
autoridades, intitulou-se "estilista", em casa. Tudo começou em 1996
quando José Carlos Sousa Martins, filho de uma operária fabril de Braga,
conheceu a namorada e passou a frequentar a zona do Bessa, em especial o
salão de Carlos Sampaio.
Com a ajuda da mulher, era apresentado
como "Ricardo Martins" herdeiro do grupo "Jerónimo Martins", detentor de
um império que, entre outros negócios, incluía a cadeia Pingo Doce,
supermercados na Polónia e uma tabaqueira na Austrália.
Bem
falante e com boa imagem, para os amigos futebolistas (e não só) que
conheceu no cabeleireiro onde passava as tardes passou a ser conhecido
como Ricardo "Pingo Doce". Amizade puxa amizade e, por força dos
"negócios" da família e da especial amizade com Ricardo - então
guarda-redes da Selecção Nacional-, foi convencendo jogadores do
Boavista e empresários que lhe apareceram a entregarem-lhe dinheiro para
investimentos "sem risco" e com retorno assegurado no imobiliário e
área financeira. Os juros eram superiores aos que os bancos davam.
O
"herdeiro" sabia que, em muitos casos, o segredo estava na imagem.
Assim, durante mais de dez anos, foi mantendo "contactos" com a sua
família, que tinha ainda ramificações ao grupo de construção civil
Soares da Costa . Um apartamento luxuosamente mobilado no Bessa e o
facto de circular com Mercedes e Porsches também ajudaram a criar e
manter o conto do vigário.
Além disso, a sensação de veracidade
dos investimentos era dada pela circunstância de, por norma, os
jogadores não pedirem a devolução dos investimentos ao final do prazo.
Os supostos lucros iriam acumulando...
Noutros casos, o falso
herdeiro do Pingo Doce chegou a devolver algum dinheiro aos investidores
- o que ajudou à manutenção da farsa. Mas afinal as verbas eram de
outros lesados.
O esquema à moda de Dona Branca (a conhecida
"banqueira do povo", em Lisboa nos 80 do século passado) tornou-se
insustentável a partir de 2009. Ricardo teve de fugir para o Brasil. Já
tinha sacado mais de quatro milhões de euros. Mas nas suas contas
circularam mais oito milhões - o que leva a acreditar que muitos lesados
optaram por não se queixar.
Fonte: JN
Clogger

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