Já lá vão quase 14 anos desde que a Trofa se divorciou
litigiosamente de Santo Tirso, mas os concelhos ainda lutam pela delimitação
dos territórios. A ferida dói mais em zonas empresariais, perto do nó da A3.
A situação gera casos caricatos: uma rua, que pertence
metade a cada município, tem dois nomes.
Após uma união de 162 anos e depois de o Estado ter sido
condenado a indemnizar Santo Tirso pela desanexação das oito freguesias da
Trofa, falta sanar as divergências sobre as fronteiras dos municípios, que não
ficaram traçadas em 1998.
Há os limites provisórios previstos na Carta Administrativa
Oficial de Portugal (CAOP), que faz a divisão pelo meio da rotunda da A3.
Porém, nenhum dos concelhos aprova tal solução: a Trofa garante que o seu território vai para lá dessa divisória, abrangendo a zona industrial de Fontiscos, e Santo Tirso sustenta que é dono de Ervosa, pretendendo, cada um, avançar o limite da CAOP. Nem o facto de ambas as câmaras serem socialistas parece facilitar o entendimento.
Porém, nenhum dos concelhos aprova tal solução: a Trofa garante que o seu território vai para lá dessa divisória, abrangendo a zona industrial de Fontiscos, e Santo Tirso sustenta que é dono de Ervosa, pretendendo, cada um, avançar o limite da CAOP. Nem o facto de ambas as câmaras serem socialistas parece facilitar o entendimento.
As divergências são de tal ordem que o Município tirsense
intentou, em 2009, uma providência cautelar para suspender o plano de pormenor
da futura área empresarial da Trofa, perto da A3.A Assembleia da República, à
qual já foi rogada intervenção, permanece muda.
"É lamentável e não tem lógica nem sentido",
sentencia José Areal, cuja casa, registada na aldeia de Ervosa, em S. Martinho
de Bougado, na Trofa, estaria, a vingarem os argumentos de Santo Tirso, em solo
tirsense.
"Parte dos terrenos da zona industrial de Fontiscos
(Santo Tirso) eram de proprietários da aldeia de Ervosa, de S. Martinho
(Trofa). Há lá marcos que dividem as freguesias", assegura, por sua vez,
Jerónimo Matos.
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